Travel blogs by Travellerspoint

Pragmatismo Alemão

Um devaneio inocente em Berlim

Minha chegada em Berlim não poderia ter sido melhor: pasta com camarão ao molho curry. Minha anfitriã do CouchSurfing se ofereceu para preparar um jantar e mesmo eu sendo chato para comida resolvi aceitar para não fazer desfeita. Seu apartamento de um único cômodo e cozinha americana era pequeno mas bem organizado. Em cada canto havia: uma cama de casal, uma mesa de dois lugares, a cozinha e o meu colchão inflável tabajara. Olhando para o colchão pensei: Ela deve ter caído na real em relação aquela sua história maluca de compartilhamento de cama. Foi provavelmente um devaneio inocente já a essa altura corrigido pela razão.

Após saborear o delicioso jantar, preparado pela minha anfitriã em minutos, fui formalmente apresentado ao meu aposento temporário em Berlim. Numa das paredes havia fotos de Israel e algumas palavras em Hebráico que para mim, agnóstico filho de mãe judia, pareciam mais hieroglifos egípcios. Pensei: Uma alemã com tanto interesse por Israel só pode ser judia, mas vou deixar essa pergunta para mais tarde.

Ajeitei minha mala perto do colchão inflável e ela me disse muito educadamente, como se estivesse me falando sobre a água quente do banheiro: Você pode dormir aqui nesse colchão ou na minha cama. Eu não me importo. Meus amigos quando ficam aqui sempre dormem na minha cama sem problemas. Respondi com a naturalidade de um liberal brasileiro, acostumado com o "feminismo" das mulheres cariocas: Claro, normal. Obrigado pela hospitalidade.

DSC00159.jpg

Após um rápido bate-papo sobre trivialidades, resolvi iniciar um papo mais filosófico sobre individualismo e liberalismo econômico, que foi rapidamente abortado quando percebi que minha anfitriã era uma militante de esquerda. O papo ficou chato e ela perguntou: O que você quer fazer? Quer ver um filme? Pensei em sugerir "Instinto Selvagem", mas acabamos indo ver "Procurando Nemo" depois que "O Gladiador" apresentou problemas técnicos logo no início. A televisão ficava em frente a cama e o DVD player era um notebook cinza e grosso rodando Windows Millennium. Deitamos na cama.

Embaixo do lençol os corpos naturalmente se atraem, se tocam, trocarm calor e quando dou por mim já estamos nos beijando enquanto Nemo ainda está perdido. Não há jogos nem formalidades, apenas sexo seco e crú, com toda a eficiência e o pragmatismo alemão. Quando coloco ela de quatro ela dispara: Sexo Anal eu não quero!. Respondo: Mas quem disse que só porque você está de quatro tem que fazer sexo anal? Eu calmamente explico pra ela que sou contra sexo anal por princípios filosóficos e ela me explica que em Israel isso está na moda e os homens israelitas só pensam nisso. Então tá, mas vamos continuar agora antes que a coisa se complique por aqui e nem mais o trivial seja possível.

DSC00143.jpg

No dia seguinte terminamos de ver "Procurando Nemo", mas sem sexo porque ela me disse que estava com um "princípio de infecção urinária". Aproveitei para conversar e abordar os temas mais sérios. Perguntei: Você é Judia? Ela respondeu: Tá maluco! Mudei de assunto. Mais tarde perguntei como era o processo de obtenção de visto para a entrada em Israel. Ela me disse: É um desrespeito. Só porque eu sou alemã eles tiraram toda a minha roupa e me revistaram por inteiro! Perguntei: Mas porque então o seu facínio por Israel? Não consegui entender sua explicação. Talvez a pista tenha sido me dada na noite anterior.

Posted by stanislaw 01:12 Archived in Germany Tagged women Comments (0)

(Entries 1 - 1 of 1) Page [1]